segunda-feira, abril 17, 2006

Almoço em família me dá mal-estar.

Hoje acordei e me deparei com um sujeito vinte anos mais velho que colocava minha calça - nele apertada. Seus gestos eram imperfeitos, retos, sua pele debilitada. Mecanicamente ele se vestiu e saiu. Ele era eu.

Antes numerosa, a cerimônia se reduziu a poucas pessoas.

Olho minha sobrinha, linda, e penso no quanto é difícil ser criança, o quanto é difícil ser saudável. Com sete anos ela já é uma mulherzinha, charmosa, que sabe que não pode conversar com estranhos, não pode falar alto, não pode correr e nem pegar o livro da estante. Com uma medalhinha de Santa Madalena com o menino Jesus ela é minha própria irmã: o mesmo jeito, as mesmas crenças transmitidas hereditariamente, que podem resultar na mesma dor.

Muitos são os sonhos que se constroem na juventude.

E, de repente, eu sou meu avô olhando os netos na sala apertada, ouvindo o último sucesso da novela Rebeldes, onde a criançada dança espivitada pela casa. Sou eu o gerador dessa energia, eu que tanto vivi e tanto construi, e que agora só posso esperar sentado na cadeira de rodas a hora de não mais acordar e voltar a dormir ao lado dos que já se foram. E se eu tivesse dito sim à aquele amor de verão de 1925, se eu tivesse dito não no primeiro casamento em 1930, se eu não tivesse ido ao Vale do Jequitinhona e conhecido Doralice, e se eu não tivesse lá voltado para buscá-la perdendo tudo... Tudo. Tudo poderia ter sido diferente. Uma escolha e já não seria mais aquela sala, aqueles filhos, aquela vida. Não. Tudo se constroe no presente! Deixe de pensamentos tolos.

Hoje, ao perceber as rugas nos olhares antes jovens, só consigo pensar a vida sob a perspectiva da morte.

Pedro construi prédios. Anna construiu família. Joaquim nada construiu.
Pedro mora na Barra. Anna mora na Tijuca, Joaquim mora em Copacabana.
Pedro se diz feliz. Anna se diz feliz. Joaquim se diz feliz.

Se quando sonho meu corpo entra em outro estágio de consciência e tem às mesmas reações físicas de quando estou acordado; sob a mesma perspectiva, podemos crer que a vida é um sonho?
Será possível crer a morte como esse outro estado de consciência onírico da onde não se acorda?

"A filosofia do homem o fascina mas não esclarece".
Ou como diria o Manoel: "Morreu, acabou. O resto é crendisse"

2 comentários:

  1. Além do princípio do prazer.

    Thánatos, a grande igualadora e pacificadora, a desintegradora que conduz à indiferenciação, está cada vez mais tomando espaço na cultura. Seja no Irã, seja nos EUA. Numa cultura de 7000 anos, o tempo absoluto agora cronologiza-se, vida e morte entredevoram-se e a morte se faz presente a cada passo dado em direção à vida. Caminha-se para a vida e para a morte. Thánatos agora
    é mais que repulsão, é entropia, tendência ao apagamento de todas as diferenças.

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    "Era uma vez, um peixinho que botou a cabeça fora da água. Gostou, repetiu a experiência e passou a viver em terra firme. Um belo dia, ao passar por uma pinguela, escorregou, caiu dentro da água e morreu afogado. Moral da história: não adianta nada aprender uma coisa desaprendendo outra". Millôr Fernandes

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