terça-feira, fevereiro 08, 2005


O pierrô retira sua fantasia em meio à multidão de foliões. A convenção estabelecida da obrigação da diversão durante esta semana do ano, para depois voltar ao medíocre dia-a-dia da rotina, o fizeram perceber sua triste situação.
"Ô abre-alas, que eu quero passar" - repetem há décadas as multidões.
Queria correr e mandar parar toda aquela comemoração sem propósito, mas caminhava perdido em pensamento.
A lágrima que escorria agora não era apenas desenho em purpurina no seu rosto. Ele sabe que a colombina o procura, mas se tornou mais uma em meio ao mar de foliões. A maquiagem borra com o mar que escorre pelos seus olhos. A máscara já não esta mais com ele, apesar de entender o sentido da fantasia naquele momento...
Retira os sapatos para andar na areia.
Pensou em voltar para casa.

Entrou na água.
Não se distingue mais sua lágrima das águas que o levam boiando para o horizonte. Posted by Hello

6 comentários:

  1. estou a horas olhando nos olhos desse triste pierro...

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  2. "ser cosmopolita", definiu um 'empresário' que conheci num bloco em olinda ao discutirmos nossa integração local. ontem. hoje, entretanto, num momento em que minha excitação pairante desceu a lama que sujava meus pés (calçados, por sorte e renda) entrei num estado que considero válido. não queria parecer uma "pessoa triste" como todos passariam mexendo. deveria estar lá, a pular e estar quase entrando em nirvana no supra sumo da felicidade. mas até a consciência desse ideal estado já o destruia da minha idealização massificada. resolvi sentir. mas já queria o depois. foi difícil. pois bem. tinha levado a máquina e de "pose" me fiz de fotógrafa praqueles pavãos. ao longo do percurso, (que integralmente o fiz sozinha) uma menina me pediu o guarda-chuva de frevo que eu girava. por um momento já me veio toda a cena e o desfeche lindo dela partindo feliz e eu tbm, sem o adereço. resolvi viver. qual seria nosso contato sincero? com ela eu o teria. me disse sua cidade, uma provavelmente bem pequena e pobre. e seu nome: Caoma. nós corremos por entre as pessoas, ela, pisando descalça pela água mais suja que um 4o dia consecutivo poderia dar e eu caindo na real da minha "cosmopolitidade". --------- no fim, após algumas disperções hormonais, me dei por segura na minha posição contemplativa das pessoas. houve 1 ou 2 olhares de verdade, pessoas que viram nos meus olhos algum pensamento - talvez as tenha contagiado - e no fim, ao chegar e abrir esse blog vejo as que me olharam sabem do que se trata assim como raoni. que moto contínuo eh esse? aqui em pernambuco, mais da metade da população eh pobre, pobre mesmo, ferrada. minha volta por olinda me revelou a real situação dos não cosmopolitanos locais. parecia a tão zuada feira dos paraíbas no rio. céus! aquela gente toda rebolando e ouvindo rádios berrando naquela fumaça de churrasco e eu, por dentro a ouvir todas as críticas daquela gente, críticas da grande capital rio, do jardim botânico, do bibi, do tablado.. e o sonho de muitos de ficar famoso na globo que fica onde? no rio! me senti péssima. que merda. nçao queria deixar a "esnobisse" me subir a cabeça. de repente o lance de karma me veio a tona. seriam aquelas almas pagadoras de suas ancestrais merdas? mas merdas pra quem? ou seria o nojo mais profundo que tenho da péssima época em que nasci. aliás, procuro época boa pra se ter vivido.. mas será a isso eh ruim? acho que eles não acham. talvez só eu me dê ao luxo de questionar tanto com minha visão cosmopolita. acho q já enchi demais esse post. é isso.
    no meio da ladeira, escorreguei da minha cegueira e caí numa lameira. levantei e pensei mas nada no fim acho q mudei.

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  3. Nao imaginava q o carnaval ainda te surpreende. Entre pierros e colombinas eu aprendi em uma semana o valor da minha familia. Nao há foliões q me façam trocar essa semana em casa. Achei que meu coração me seguisse por inteiro no rio, mas descobri que parte dele é itaipavense.
    saudades de um amigo que viveu essa familia.
    Mil beijos
    (como sempre, muito sucesso!)

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  4. "... Enquanto os homens exercem seus podres poderes,
    indios e padres, bichas, negros e mulheres, e adolecentes fazem o carnaval.
    Queria poder cantar afinado com eles
    Silenciar em respeito a seus transes, num extase
    Ser Indecente mas tudo é muito mal..."
    Podres Poderes - Caetano Veloso.
    Po(p)stado by Guru Manoelita.

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  5. Quando pequeno meu carnaval era pôr uma máscara e sair batendo bola. Hoje tenho vontade de tirar a máscara e ser quem sou, ainda que eu seja carnaval.

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  6. "Quem é vc, diga logo q eu quero saber o seu jogo..."

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